Resumo Histórico



 

          Quando, em 1737, o brigadeiro José da Silva Pais fundou na Barra do Rio Grande o presídio militar que daria início à colonização oficial do então chamado Continente de São Pedro, já a região situada entre o Guaíba e o oceano começara a ser habitada por povoadores vindos de Laguna e aí estabelecidos com estâncias de criação e pouso. Entre eles encontrava-se o madeirense Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcellos, a quem o Capitão-General de São Paulo concedeu, em 5 de novembro de 1740, Carta de Sesmaria das terras por ele ocupadas havia "oito para nove anos", isto é, desde 1731 ou 1732; a concessão abrangia, em sua área de "três léguas de comprido e uma de largo", o local hoje assenta a cidade de Porto Alegre.

          Embora a estância de Jerônimo de Ornellas estivesse bastante longe de Guaíba, em breve muitos moradores dos seus campos, e alguns recém-chegados, vieram fixar-se junto às praias do estuário, criando assim, pouco a pouco, um diminuto arraial que recebeu o nome de Porto de Viamão, por suporem os visitantes que o lugar fosse dependência dessa povoação, que se achava 4 léguas mais para leste.

          Em 1747, prosseguindo os seus esforços para intensificar o povoamento do Continente de São Pedro, o governo português contratou com Feliciano Velho Oldenberg a vinda de casais açorianos, parte dos quais se destinaria ao Porto de Viamão.

          A primeira leva de ilhéus dos Açores, constituída de cerca de 60 casais, aí chegou em 1752, só então começando a tomar incremento o pequeno povoado, que passou a chamar-se Porto dos Casais. Por essa época, erigiu-se no arraial a ermida do seu primeiro orago, S. Francisco de Assis.

          Em 1772, por iniciativa do governador José Marcelino de Figueiredo, desapropriou-se a sesmaria, que Jerônimo de Ornellas vendera dez anos antes a Inácio Francisco, e distribuíram-se datas de terras entre os colonos açoritas. Nesse mesmo ano, a 26 de março, foi criada a freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, por pastoral do bispo do Rio de Janeiro, D. Antônio do Desterro, dela tomando posse a 25 de setembro o padre José Gomes de Faria.

          Já no ano seguinte, a 18 de janeiro, o bispo substituía a denominação da nova freguesia pela de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, surgindo assim, pela primeira vez, o nome Porto Alegre, que se conservou até hoje.

          Foi também em 1773, a 24 de julho, que José Marcelino de Figueiredo, percebendo-lhe as enormes possibilidades de progresso futuro, transferiu para Porto Alegre a capital do Continente de São Pedro, estabelecida em Viamão depois da tomada de Rio Grande pelos espanhóis em 1763.

          Decisivo impulso recebeu a localidade. Por determinação de José Marcelino, instalou-se a primeira olaria de telhas na nova capital, onde, até então, as casas eram todas cobertas de palha. Os açoritas prosperavam, favorecidos pela amenidade do clima e pela fertilidade da terra. Em 1780 era iniciada a construção da nova Matriz, e em 1790 criava-se a primeira aula pública.

          Em 1801, apenas raiara o século XIX, fundou-se a Santa Casa de Misericórdia, em lugar que o naturalista e viajante Saint-Hilaire, em 1820, diria estar "fora da cidade, sobre um dos pontos mais altos da colina...Bastante distanciado da cidade para evitar contágios". Foi por esse tempo que se instalou no antigo Beco dos Ferreiros, hoje Rua Uruguai, um teatrinho a que os frequentadores deviam levar suas cadeiras nos dias de espetáculo.

          Ainda nesse decênio, era Porto Alegre elevada a Vila por alvará de 23 de agosto de 1808. Contava então mais de 6.000 habitantes; de aldeia de agricultores e pescadores, transformara-se em promissora praça de comércio e porto de escoamento das povoações litorâneas de Santo Antonio da Patrulha, Conceição do Arroio Grande (hoje Osório), Gravataí e Viamão, bem como de Rio Pardo, Santo Amaro, Taquari, Triunfo e Cachoeira.

          A Vila foi solenemente instalada em reunião pública de 3 de dezembro de 1810, erguendo-se o respectivo pelourinho, símbolo da autoridade municipal.

         Seguiu-se um período de guerras no Prata, que naturalmente afetou o normal desenvolvimento da vila; mas, por outro lado, a crescente importância que a Capitania assumia aos olhos da Corte fez com que para ela fossem designados governadores de alta estirpe, que favoreceram a urbanização e o progresso da jovem capital.

         Quando Saint-Hilaire chegou a Porto Alegre, em junho de 1820, encontrou uma vila desenvolvida e movimentada, com grande número de edifícios de dois andares; e, conquanto se impressionasse com a espantosa sujeira das ruas, a vila em seu conjunto causou-lhe uma impressão agradável.

          Por ocasião da revolução portuguesa e da instauração do regime constitucional, viveu a vila dias de grande alvoroço, que culminou na madrugada de 26 de abril de 1821, quando a tropa e o povo amotinados obrigaram a junta governativa interina a jurar a Constituição na Praça da Matriz.

         No ano da proclamação da Independência, a que a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul prestou apoio irrestrito, Porto Alegre, por intermédio dos representantes da Província na Corte do Rio de Janeiro, pleiteou a sua elevação à categoria de Cidade, que lhe foi concedida por D. Pedro I em 14 de novembro. Já então, sua população ultrapassava 12.000 habitantes.

          Dois anos depois, em 1824, no governo do Visconde de São Leopoldo, desembarcavam aí os primeiros imigrantes alemães, destinados à colônia de São Leopoldo. Esse fato reveste-se de considerável importância para a história de Porto Alegre, porquanto a sua vida econômica posterior teve estreitas vinculações com o trabalho empreendedor desses colonos, tornando-se a capital rio-grandense o escoadouro da vasta produção industrial e agrícola da região colonizada.

          O primeiro jornal da cidade começou a publicar-se em 1827; foi o "Diário de Porto Alegre", orgão do governo. Teve existência efêmera, deixando de circular em junho de 1828, mas no mês de julho desse ano surgia o "Constitucional Rio-Grandense", de orientação independente.

          Em 1834 inaugurou-se o segundo teatro da cidade, o D. Pedro II, que funcionou durante muito tempo na Rua Bragança, só desaparecendo em 1871, quando já funcionava o majestoso São Pedro.

          O longo período de paz e desenvolvimento por que passava a capital da Província foi interrompido a 20 de setembro de 1835, quando forças insurretas comandadas por Gomes Jardim e Onofre Pires a ocuparam sem resistência, dando começo à Revolução Farroupilha. No dia seguinte, Bento Gonçalves fazia a sua entrada triunfal na cidade.

          Menos de um ano permaneceu Porto Alegre em poder dos revolucionários. O Major Manuel Marques de Souza, futuro Conde de Porto Alegre, que se encontrava recolhido ao navio-prisão "Presiganga", entrou em comunicação com os legalistas da cidade e retomou-a em 15 de junho de 1836, restaurando nela a autoridade imperial. Dias depois o chefe farroupilha punha cerco à capital, e a 30 de junho efetuava um ataque, repelido na Praça do Portão.

         O cerco, suspenso em setembro por Bento Gonçalves e restabelecido em maio do ano seguinte por Antônio de Souza Neto, só em 1840 foi definitivamente levantado. No seu decorrer, teve a capital de enfrentar uma série de violentas investidas dos revolucionários, pelo que veio a receber do imperador D. Pedro II, em 19 de outubro de 1841, o título de "mui leal e valerosa cidade", que ainda hoje encima o seu brasão.

         Terminado o conflito, Porto Alegre retoma a senda do progresso. Sucedem-se importantes iniciativas, tanto públicas como particulares, que marcam o ritmo do desenvolvimento da capital rio-grandense. Em 1846, a 1o de fevereiro, é fundado o Liceu D. Afonso, que reúne todas as escolas de ensino secundário da capital. Em 1848, a Câmara Municipal estabelece a obrigatoriedade do calçamento dos passeios fronteiros às casas das ruas centrais, e nesse mesmo ano é iniciado o calçamento do leito das ruas; os primeiros logradouros beneficiados com a medida são a Rua de Bragança (hoje marechal Floriano), a Rua da Praia (atual Andradas) e a Praça do Paraíso (15 de Novembro). Em 1850 principia a construção do teatro São Pedro, inaugurado a 27 de junho de 1858.

         Já então, Porto Alegre se tornara sede de bispado, criado a 17 de maio de 1848 por bula do Papa Pio IX; dele tomou posse o primeiro bispo, D. Feliciano José Rodrigues Prates, em 1835.

          Expressivo símbolo do progresso material da cidade no período é a construção do grande edifício de quatro andadres, até a pouco ainda existente na Praça 15 de Novembro, e que o povo denominou "Malakoff", em comemoração à tomada da torre desse nome durante a Guerra da Criméia.

         Pela mesma época fundava-se a Praça do Comércio (1857), antecessora da Associação Comercial, e logo depois o Banco da Província do Rio Grande do Sul (1858), por iniciativa dum grupo de comerciantes locais.

          Em 1861, a Lei provincial no 466, de 2 de abril, celebrou contrato com a Companhia Hidráulica Porto-Alegrense, para fornecimento de água à população mediante instalação de encanamentos, com torneiras para uso particular, e construção de chafarizes públicos.

         Em 1864, deu-se início à edificação do grande Mercado da atual Praça 15, aberto ao público cinco anos depois. Antes disso, as quitandas funcionavam num prédio de dimensões reduzidas, na Rua de Bragança.

          Também em 1864 foram postos a trafegar os primeiros bondes de tração animal. Dados os prejuízos que sofreu, não pôde o empresário manter os seus serviços por muito tempo, e somente em 1872, ao estabelecer-se a Companhia Carris em seu casarão na Várzea, os transportes coletivos começaram a funcionar regularmente.

         Em 1871 são criados o Ateneu Rio-Grandense e a Escola Normal, extinguindo-se o Liceu D. Afonso. Em 1874 instala-se o Tribunal da Relação e é entregue ao tráfego o primeiro trecho da ferrovia Porto Alegre-São Leopoldo-Novo Hamburgo, completada em 1876. Ainda em 1874 é inaugurado o sistema de iluminação a gás.

          No terreno cultural, deve registrar-se a fundação da Biblioteca Pública, criada por Lei de 1871 e regulamentada em 1876.

          Sete anos mais tarde, o ano de 1883 marcou a data de fundação da Livraria do Globo.

         A capital gaúcha, como tantas outras cidades do Império empolgadas pela campanha abolicionista, antecipou-se  à decretação da Lei Áurea, libertando todos os seus escravos no ano de 1884.

         Ao proclamar-se a República, Porto Alegre possuía 37 armazéns de atacado e 33 de varejo, 10 casas de fazendas por atacado e 56 a varejo, 10 lojas de livros e miudezas. No setor das profissões liberais, existiam 37 médicos, 26 advogados e 26 construtores. O recenseamento geral de 1890 levantou no município 52.186 habitantes.

         Em 1894 era criado o Corpo de Bombeiros, que se compunha, a princípio, de duas seções, com um total de 30 homens.

          Esse mesmo ano de 1894 é assinalado pelo aparecimento do primeiro instituto de ensino superior, a Escola de Farmácia, fundada pela União Farmacêutica. Outros estabelecimentos de nível superior seguiram-se a breve prazo: a Escola de Engenharia, em 1896; a Faculdade Livre de Medicina e Farmácia, que incorporou aquela, em 1897; a Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, em 1900.

         Ao findar o século XIX, contava a cidade 73.274 habitantes, serviços de água, telefones e transporte urbano de tração animal.

          A grande Exposição Estadual de 1901, realizada em Porto Alegre, foi o acontecimento que marcou o alvorecer do século XX, apresentando a todo o Brasil uma demonstração do progresso alcançado pelo Rio Grande do Sul nas suas atividades agrícolas, pastoris e industriais.

         Em 1908, o transporte urbano já era elétrico, e em 1910 o número de porto-alegrenses subia a 130.227.

          No decênio seguinte, são encetadas duas obras de grande envergadura: a colocação da rede de esgotos e a construção do cais do porto.

          Na mesma época, graças ao trabalho profícuo e inteligente dos prefeitos José Montaury e Otávio Rocha, seguidos mais tarde por José Loureiro da Silva, a cidade ganhou novos contornos e avenidas. Um esboço daquilo que seria mais tarde o plano de urbanização da cidade, abriu a Borges de Medeiros, com a construção de seu famoso viaduto da Duque de Caxias, que estendeu a avenida rumo ao sul da cidade, após as obras do aterro terem sido concluídas.

         Em 1953, na gestão do prefeito Ildo Meneghetti, e por iniciativa de Henrique D'Ávila Bertaso, foi inaugurada, na Praça da Alfândega, a 1a Feira do Livro.

          A capital do Rio Grande do Sul entrara num período de notável expansão e crescente prosperidade, que se prolonga até nossos dias. Bairros que surgem, ruas que se abrem, avenidas que se alargam, praças que se ajardinam, redes de água, luz e esgotos que se estendem, empresas e estabelecimentos de toda espécie que se fundam e que ampliam as suas atividades, um sem-número de construções novas, tudo revela o constante desenvolvimento de Porto Alegre e a operosidade do seu povo.

         Para melhor escoar o fluxo de veículos, viadutos foram construídos, complementando as radiais e perimetrais executadas nas administrações Telmo Thompson Flores e Guilherme Socias Villela. Na área recuperada ao estuário do Guaíba, foi construído o Parque Marinha do Brasil, o estádio do Sport Club Internacional e seu Parque Náutico. Na administração do prefeito Alceu Collares, foi pavimentada a Avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio), da qual se descortina uma magnífica vista do Guaíba.

         Porto Alegre, com seus municípios vizinhos, formando a região chamada Grande Porto Alegre, possui hoje mais de 4,2 milhões de habitantes, e está situada a margem esquerda do estuário do Guaíba. Dista 260 Km do mar, sendo o acesso feito através da Barra do Canal Norte, canais da Lagoa dos Patos e Rio Grande. Por via rodoviária, a ligação mais curta entre Porto Alegre e o mar, num trajeto de aproximadamente 90 Km, faz-se através da RS-040, unindo a capital às praias de Pinhal e Cidreira. A principal praia da orla marítima gaúcha, Tramandaí, dista de Porto Alegre 122 Km, pela BR-290.        

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